Aprender a lidar com o dinheiro desde os primeiros anos pode ajudar a formar adultos mais preparados para tomar decisões e planejar o futuro.
Em julho de 2026, o Senado aprovou o Projeto de Lei 2.979/2023, que prevê a inclusão da educação financeira como tema transversal e integrador nos currículos dos ensinos fundamental e médio. Como o texto foi aprovado com alterações, ele retornou à Câmara dos Deputados para nova análise.
O texto aprovado também contempla a promoção da educação fiscal, previdenciária e securitária, ampliando a discussão sobre como diferentes conhecimentos podem contribuir para a formação financeira dos estudantes.
Mas esse tema é mais amplo do que parece: educação financeira não é apenas aprender a gastar menos. É aprender a fazer escolhas hoje considerando também os objetivos de amanhã.
Educação financeira começa antes do primeiro salário
Uma criança que aprende a diferenciar necessidade de desejo, um adolescente que começa a estabelecer uma meta de economia ou um jovem que passa a compreender como funciona um orçamento já está desenvolvendo habilidades que poderão acompanhá-lo em diferentes momentos da vida.
Conceitos como planejamento, organização, prioridades e responsabilidade deixam de ser abstratos e passam a fazer parte das decisões do dia a dia. E isso pode fazer diferença quando surgirem escolhas mais complexas: administrar o primeiro salário, organizar as despesas, utilizar crédito, formar uma reserva, realizar um projeto ou começar a investir.
Falar sobre educação financeira desde cedo não significa antecipar para crianças e adolescentes as preocupações da vida adulta. Significa oferecer conhecimento para que, quando essas decisões chegarem, eles tenham mais repertório para compreendê-las.
Escolhas e planejamento
Uma vida financeira equilibrada não depende apenas de quanto uma pessoa ganha. Envolve saber quais são suas prioridades, compreender seus limites e definir onde pretende chegar.
Esse olhar ajuda a transformar o dinheiro de um recurso utilizado apenas para atender necessidades imediatas em uma ferramenta de planejamento.
Uma viagem, a compra de um imóvel, a formação de uma reserva, um projeto profissional ou a preparação para a aposentadoria são objetivos diferentes, mas todos dependem de decisões tomadas ao longo do tempo.
E quando o amanhã está mais distante?
É nesse ponto que a educação financeira encontra a educação previdenciária.
A aposentadoria costuma parecer um assunto distante para quem está começando a vida. Afinal, quando o futuro ainda parece tão longe, pode ser difícil perceber a importância de começar a planejá-lo.
O planejamento previdenciário trabalha justamente com essa perspectiva: olhar para um futuro que ainda não chegou e começar a construí-lo no presente.
Quanto antes uma pessoa entende que a renda necessária para o amanhã também precisa ser planejada, mais cedo ela pode conhecer as alternativas disponíveis e tomar decisões compatíveis com seus objetivos e sua realidade.
Previdência é assunto para agora
A educação previdenciária ajuda justamente a mudar essa lógica. Ela permite compreender que a previdência está relacionada a escolhas de longo prazo e à construção de uma estratégia.
Isso não significa que uma criança precise pensar em aposentadoria da mesma maneira que um adulto. O aprendizado pode acontecer de forma gradual.
Primeiro, vem a compreensão de que os recursos são limitados e que escolhas precisam ser planejadas. Depois, o entendimento de que objetivos diferentes exigem horizontes diferentes. Mais adiante, a percepção de que alguns projetos precisam de anos de preparação.
É assim que o conceito de longo prazo pode deixar de ser algo distante e passar a fazer parte da maneira como cada pessoa pensa sobre seu futuro.
O valor de começar cedo
Iniciativas de educação financeira e previdenciária voltadas às novas gerações mostram que esse aprendizado pode ser construído de maneira acessível e conectada ao cotidiano.
Um exemplo é o projeto Construindo o Futuro, da Funpresp-Jud, apresentado pela Abrapp como uma iniciativa permanente de educação financeira e previdenciária para estudantes. O projeto aborda temas relacionados a finanças, economia, investimentos, cibersegurança e história do dinheiro com alunos do 6º ano.
Experiências assim ajudam a mostrar que falar sobre futuro financeiro pode ser algo acessível, interessante e conectado à realidade dos jovens.
O que eu quero? Quanto custa? Quanto tempo preciso para alcançar? O que posso fazer hoje para chegar lá?
São perguntas como essas que ajudam a desenvolver uma habilidade essencial: pensar antes de decidir.
A abordagem do tema nas escolas representa uma oportunidade para ampliar essa compreensão e contribuir para a formação de pessoas mais preparadas para lidar com suas escolhas financeiras ao longo da vida.
Mas também pode contribuir para algo maior: ajudar a perceber que o futuro financeiro não acontece por acaso. Ele é construído, pouco a pouco, a partir das decisões tomadas no presente.
Para a PortoPrev, falar sobre educação financeira e previdenciária é também reforçar a importância de desenvolver, desde cedo, uma visão de longo prazo.
E quanto mais cedo esse olhar fizer parte da nossa formação, mais natural pode se tornar a tarefa de planejar, proteger e construir o amanhã.